
Biblioteconomia: da técnica à cidadania
Entre os fatores que consolidaram o papel do bibliotecário destacam-se os que satisfazem as necessidades informacionais do usuário como: armazenamento, conservação e preservação da memória social e a disseminação da informação para a sociedade. Ao longo dos anos, os profissionais da informação foram aprimorando seus conhecimentos alcançando um vasto campo de trabalho em áreas gerais e especializadas em que são incorporadas novas técnicas para o controle documentário. Sabe-se que o profissional bibliotecário é mediador da informação, e, como tal, seu dever enquanto profissional/cidadão é agir como catalisador e difusor da informação na comunidade em que vive.
Percebe-se que existe um elo entre educação e ação social, partindo do pressuposto que uma boa educação forma um cidadão comprometido com a comunidade em que está inserido. A ação social possibilita a inserção da população excluída nessa comunidade, ou seja, uma ação voluntária dá oportunidade aos que vivem à margem da sociedade a terem acesso à informação e ao trabalho.
Nesse contexto, o bibliotecário volta-se ao cada vez mais para o uso social da informação, como agente transformador da realidade social que o cerca. A Biblioteconomia pode servir de suporte à prática pedagógica à medida que sai das paredes da biblioteca tradicional e passa a sentir o usuário, promovendo reais políticas públicas e auxiliando no resgate da cidadania daqueles que foram desfavorecidos pelas políticas de planejamento das gestões governamentais. Neste contexto, as unidades de informação são vislumbradas como o ponto de partida para a divulgação desse direito e de seus respectivos deveres, participando assim da dinâmica da construção da cidadania.
Biblioteca e Creche Lar Mei Mei
Há mais de 20 anos esta instituição filantrópica sem fins lucrativos, de assistência à criança carente, promove a integração social e a educação de diversas crianças em situação de risco das comunidades carentes circunvizinhas ao Bairro Novo e aos Bultrins.
São atendidas 80 crianças em fase pré-escolar (dos dois anos aos seis anos de idade) tratando de sua educação social e desenvolvimento da cidadania, ensinando os preceitos da ética e da moral cristã.
A Biblioteca Lar Meimei possui atualmente um grupo de pessoal responsável pela execução dos trabalhos que trabalham como coordenadoras e mediadoras entre a comunidade e a instituição. Entre elas atuam: Flávia Messias Lucena Melena e Márcia Verônica Caldas da Silva que atuam, respectivamente, como coordenadora e mediadora da biblioteca, atendendo ao público infantil bem como familiares e usuários externos.
O Serviço de referência da Biblioteca Lar Mei Mei é voltado especificamente para o atendimento infantil, desenvolvendo ações de uma verdadeira biblioteca escolar. Esses serviços priorizam essencialmente o aspecto humano, como forma de fluir a informação do acervo ao público, seja em ações públicas de leitura como prática social, seja no simples empréstimo de uma obra infantil.
O público real que freqüenta a biblioteca da instituição abrange voluntários da creche, educadores, familiares, voluntários da biblioteca e público externo, numa média mensal de 130 pessoas. Além da direção de duas mediadoras, a biblioteca recebe o apoio de quatro voluntários, atendendo uma média de 207 usuários potenciais. São realizadas ações culturais no local tais como "conto na praça" e "contação de leitura" em escolas do bairro.
As atividades desenvolvidas pelas mediadoras da instituição constituem ações de referência tendo como objetivo, o amparo à educação infantil, desenvolvendo ações literárias com narrativa de histórias para crianças, jovens e públicos da comunidade local. Destacam-se as atividades de conto na praça; roda de leitura com gestantes; roda de leitura com famílias; narrativa de histórias com crianças da instituição; oficinas de leitura com a comunidade (estendendo-se às escolas da região); aulas-passeio (como atividade complementar) e oficinas de leitura.
Nas atividades desenvolvidas no âmbito da educação infantil e arte-educação, as crianças desenvolvem trabalhos de colagens e pinturas em papel, leitura de cordel, educação ambiental e aulas de promoção à conscientização coletiva, direitos, deveres e construção da cidadania especialmente na reflexão crítica do estatuto da Criança e do Adolescente.
Embora o trabalho educacional de conscientização e democratização da leitura seja satisfatório, há uma grande lacuna de livros paradidáticos como suporte à leitura infanto-juvenil. Tal como o insuficiente número de livros, há uma carência sentida quanto ao número de mediadores, pois o trabalho com crianças é intenso e exige redobrada atenção por cada responsável que ali se encontra. Apesar de muitas conquistas materiais para o atendimento e conforto das crianças, os recursos são escassos uma vez que a biblioteca está inserida na creche (que igualmente possui gastos para sua manutenção) não havendo muitos recursos disponíveis. O apoio financeiro provém da Prefeitura de Olinda e de algumas entidades assistenciais, porém não é suficiente para cobrir os elevados custos de manutenção.
Apenas o apoio municipal e eventuais doações são insuficientes para manutenção e realização dos trabalhos, de modo que a sociedade civil precisa compreender seu papel como peça de uma engrenagem social para o funcionamento do coletivo. Vale salientar que a instituição recebe apoio do Instituto C&A através do "Programa Prazer em Ler" que através deste projeto visa desenvolvimento de ações de promoção da leitura e tem sido a principal fonte de recursos.
A biblioteca faz parte da Rede de Bibliotecas Comunitárias da Região Metropolitana do Recife, que conta com o Centro de Cultura Luiz Freire - CCLF (Olinda - PE) como parceiro e integrador das ações de intercâmbio entre as diversas bibliotecas além de fomentar a formação de gestores e mediadores de leitura. Isto sem dúvida dá um fôlego extra às atividades da instituição e demais bibliotecas que, isoladas, estariam mais frágeis.
Apesar de realizar atividades que deveriam ser atribuições do poder público, ou que iniciativas da sociedade civil dispusessem de maior apoio oficial, há uma dificuldade em cobrar e até falar do não cumprimento das obrigações acordadas entre a instituição e a Prefeitura. Como exemplo, só um turno escolar está sendo mantido quando deveria ser o horário integral e, também, o aporte de livros fica muito a desejar do que se espera da Prefeitura de uma cidade patrimônio histórico e cultural da humanidade.
Em tempo, a web site da Prefeitura informa: “Olinda realiza plenária para a formação do Plano Municipal do Livro e Leitura. O objetivo é elaborar o Plano Municipal do Livro e Leitura, com base nos debates que serão realizados com a participação da sociedade”. Parece que a administração municipal enxergou o que as bibliotecas comunitárias já tinham vislumbrado há tempos.
Impressões da avaliação dos Serviços de referência e informação da biblioteca Creche Lar Mei Mei
Comprometimento: esta é a palavra-chave que traduz o caráter institucional do Lar Mei Mei. Mesmo com as limitações de pessoal, recursos financeiros e apoio oficial, as atividades se desenvolvam de forma constante. Estas se estendem além dos limites da biblioteca e da instituição, a exemplo do “conto na praça” e “contação de história em outras escolas”. Ora, se por um lado, faltas de recursos e mediadores são apontadas como principais dificuldades encontradas para oferecer os serviços disponíveis, por outro não parece empecilho para realização destas atividades de extensão, ou seja, a biblioteca não se limita às atividades em seu próprio espaço.
Tal como evidenciou o autor Denis Grogan em seu livro "A prática do serviço de Referência", o elemento interpessoal continua acima de qualquer fator, pois a máquina, a tecnologia e as técnicas biblioteconômicas auxiliam no processo de educação, mas de forma alguma substituem o valor do indivíduo no trato das questões humanas. Apreendeu-se que as atividades culturais e literárias, são igualmente serviços prestados de valor referencial, distanciando-nos da unívoca visão de obras de referência e bases de dados no auxílio para este fim.
É notável o esforço realizado pela instituição Lar Mei Mei em prol do bem estar da comunidade, faltando infelizmente maior presença e apoio do governo municipal. Somente com a proposta de um investimento integral na educação, e por assim dizer, na leitura como prática verdadeira e não estatística de enriquecimento cultural e evolução pessoal e intelectual, é que podemos vislumbrar novos cenários sociais.
Infelizmente, muitas vezes o tema educação serviu na histórica política como um discurso demagogo de fins eleitoreiros ou de praxes emocionais. Ação cultural não resume a dispor de um espaço para eventos. Biblioteca comunitária não é um mero serviço social de conotação polítca. É antes de tudo, consciência não de um discurso retórico ou poético, mas AÇÃO em disponibilizar o seu tempo individual e comprometer-se verdadeiramente com o objetivo delineado. É somar feitos, independente do diploma que se carregue (ou mesmo da ausência de um). Isto sem dúvida soma mais uma experiência ao grupo em nossa bagagem acadêmica, que não levaremos apenas para os futuros ambientes de trabalho. Guarda-se para a vida.
GRUPO:
Aécio Oberdam
Carla Izabel
Maria Cleciane
Danilo Leão
Hugo Cavalcanti
Manoel de Souza
A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO)
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Biblioteca Creche Escola Irma de Castro - Lar Meimei
A Creche Escola Irma de Castro - Lar Meimei
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Prezados Coordenadores da Biblioteca Escola Lar Meimei,
ResponderExcluireu e o poeta Felipe Júnior, estamos inscrevendo um Projeto no PRÊMIO MAIS CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL 2010, do Ministério da Cultura, com o qual pretendemos distribuir 3 CDs de declamação de poesias, "CAUSOS E CORDÉIS", que lançamos no mês de abril deste ano, com cada biblioteca, e ministrar algumas palestras, incluindo recitais, sobre a Literatura de Cordel.
Só para conhecimento dos companheiros, incluímos no nosso Projeto as 7 (sete) Bibliotecas da Rede de Bibliotecas Comunitárias do Recife.
Esperamos que nosso Projeto tenha êxito para termos o prazer de contribuir com o maravilhoso trabalho de vocês.
Atenciosamente,
Ismael Gaião e Felipe Júnior.
Poetas Cordelistas.