Caros alunos e alunas,
Com o objetivo de contribuir para a compreensão do que temos refletido como o papel das bibliotecas comunitárias e públicas em geral, no tocante aos acervos, esclareço que discutimos muitíssimo a não manutenção de obras didáticas e paradidáticas.
Por quê? Porque geralmente são livros consumíveis e que as escolas recebem e distribuem aos montes, é um item onde o poder público tem investido. Então, no plano de desenvolvimento dos acervos incluímos sim, obras que possam ampliar o universo de conhecimentos que deve ser transmitido pela escola. Então no lugar de um didático ou paradidático de história, preferimos ter um dicionário específico da área, uma enciclopédia ou mesmo livros que abordem de forma mais profunda os conteúdos da história. Claro que não conseguimos recursos para esse tipo de acervo com facilidade, mas nas campanhas de doação definimos pela seleção de obras impedindo a chegada da literatura didática. Que, aliás, em algumas bibliotecas era praticamente 100% do acervo. Tudo que era descartado das casas e das escolas se entulhavam nas bibliotecas, mediocrizando o saber.
A literatura é o principal investimento das bibliotecas comunitárias, porque à luz de Antonio Candido, entendemos que a literatura é libertária e estruturante da integralidade humana, portanto é um item fundamental, um bem de valor inestimável, e promover o acesso à ela, mais do que incluir, emancipa as pessoas da "destinação", permite que construam novos caminhos, que acreditem que tudo não está dado, que a história é construída e que todos e todas são responsáveis por ela e, portanto, merecem reverência e respeito, sejam negros, índios, japoneses, gays, lésbicas, naturalistas, enfim...
Muito obrigada por compartirem comigo o trabalho de vocês.
bjs
Cida Fernandez
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Cida
Concordo com você. A literatura é libertadora. Além de ser uma viagem da alma, ela nos traz conhecimentos de mundo, de história, de pessoas, e nos prepara para a vida de forma integral. No ato de ler, vemos um mundo que se mostra para nós de forma gentil e, ao mesmo tempo, instigadora.
As bibliotecas comunitárias são as instituições que estão no espaço mais nobre da cadeia cultural (se podemos chamar assim). Levam cultura e informação para que mais pessoas tenham acesso a esse mundo fascinante. E quando digo fascinante, não quero dizer um mundo ficcional, mas nosso mundo mesmo, que, às vezes, nos é tão desconhecido. Quando uma pessoa me diz que nunca leu um livro, sinto muita pena dessa pessoa. Não entendo como alguém pode ter passado por este mundo sem ter conhecido os mundos reais de Dostoiévski, Faulkner, Machado de Assis ou Ferreira Gullar (só para citar alguns). Pelas minhas convicções em relação a leitura e literatura (alguém já a chamou de arte máxima), acredito que as bibliotecas comunitárias e suas ações culturais são fundamentais para a construção e o desenvolvimento de um novo mundo, mais justo, igual e solidário.
Abraços a todos os alunos e à professora Simone (guerreira).
Lourival
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